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Patrick Stewart (1940–2026): a minha homenagem, com um pouco de atraso
Patrick Stewart morre aos 86 anos. Aqui fica a minha homenagem: de Jean-Luc Picard a Avery Bullock, uma carreira em séries que mostra o quanto ele sempre foi versátil.

Demorei alguns dias para escrever este texto. Patrick Stewart morreu na quarta-feira, 28 de outubro, aos 86 anos, em casa, em Los Angeles. Quando a notícia chegou, fiquei anestesiado. Nesses momentos a gente não pensa em postagem, em site, em nada. Só fica ali, tentando entender que alguém que esteve presente por tanto tempo na nossa vida não está mais aqui.
Segundo a assessora dele, Kelly Bush Novak, ele partiu depois de uma "breve e comovente jornada" com Alzheimer e demência com corpos de Lewy, e a esposa, Sunny Ozell, estava ao lado dele. A doença não tinha sido divulgada antes.
Então, com um pouco de atraso, aqui fica a minha homenagem.
O capitão Jean-Luc Picard
É impossível falar de Patrick Stewart sem começar pela ponte da Enterprise. Em Jornada nas Estrelas: A Nova Geração (Star Trek: The Next Generation), de 1987 a 1994, ele foi o capitão Jean-Luc Picard em 176 episódios. Picard resolvia mais coisas com diplomacia e com um bom argumento do que com phasers. Falava baixo, pensava antes de agir e não tinha vergonha de mudar de ideia. Para muita gente, foi um exemplo de liderança que nenhum curso de gestão consegue ensinar.
Ele também esteve atrás das câmeras: dirigiu cinco episódios da série, entre eles "A Fistful of Datas", aquele em que o holodeck vira um faroeste.
Mais de 25 anos depois, ele voltou ao personagem em Star Trek: Picard (2020–2023), agora também como produtor executivo. Ver um Picard mais velho, cheio de arrependimentos e ainda assim fiel ao que acreditava, foi um presente para quem acompanhou a Nova Geração. Hoje, a última temporada ganha outro peso.
Walter Blunt, o lado cômico
Quem conhecia só o capitão sério talvez tenha se surpreendido com Blunt Talk (2015–2016), série do Starz produzida por Seth MacFarlane. Ele viveu Walter Blunt, um apresentador de telejornal britânico em Los Angeles, vaidoso, impulsivo e completamente sem filtro. Foram duas temporadas curtas, e dava para ver que ele se divertia em cada cena.
A voz de Avery Bullock
E tem um trabalho que muita gente nem associa a ele: desde 2005, Patrick Stewart era a voz de Avery Bullock, o vice-diretor da CIA e chefe do Stan em American Dad!. São mais de 120 episódios, o trabalho de dublagem mais longo da carreira dele. Aquela voz de ator shakespeariano dizendo os maiores absurdos da animação é uma das melhores piadas da série, justamente porque ele levava tudo a sério.
Muito além da Enterprise
Esses são os papéis mais lembrados, mas a lista é bem maior. Ele foi Sejano em Eu, Cláudio (1976), o espião soviético Karla em Tinker Tailor Soldier Spy e Smiley's People, o capitão Ahab em Moby Dick (1998), fez participação em Frasier e emprestou a voz para Os Simpsons, Family Guy, Futurama e Robot Chicken. Isso sem contar o palco, onde passou décadas fazendo Shakespeare, e o cinema, onde foi o Professor Xavier de X-Men.
Drama de época, espionagem, ficção científica, comédia e animação: poucos atores passaram por tantos gêneros com a mesma naturalidade. Isso mostra o quanto ele sempre foi versátil.
Obrigado, capitão
O que mais me marca em Patrick Stewart é o profissionalismo. Como capitão de nave, como apresentador desbocado ou como chefe da CIA num desenho animado, ele entregava tudo com o mesmo cuidado. Acho que essa era a forma dele de nos honrar, de honrar os fãs que estavam do outro lado da tela.
Aqui fica a minha homenagem a alguém que levou o trabalho a sério por mais de 60 anos e, com isso, nos deu personagens que vão continuar com a gente por muito tempo.
Make it so.