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Review da série

American Horror Story 13: tudo o que você precisa lembrar antes do episódio final

Treze temporadas, uma Suprema que já morreu duas vezes só neste ano e um Satanás prestes a completar 100 anos. Recapitulo AHS desde Murder House, ligo os pontos com a 13ª temporada e conto o que espero do último episódio.

Aviso: este texto tem spoilers de todas as temporadas de American Horror Story, até o episódio 12 da 13ª. O final ainda não tinha ido ao ar quando escrevi.

Nesta quinta, 29 de outubro, a FX exibe nos Estados Unidos "Devil of a Good Time", o 13º episódio da 13ª temporada de American Horror Story. Aqui no Brasil ele chega ao Disney+ na madrugada de sexta, 30 de outubro, à 1h (horário de Brasília). E antes que alguém entre em pânico: não é o fim da série. A FX já confirmou a 14ª temporada. Mas é, com certeza, o final mais carregado de história que AHS já teve, porque esta temporada resolveu juntar praticamente tudo o que veio antes.

Quando o Ryan Murphy chamou a 13ª de "temporada de grandes sucessos", eu já imaginei que ia ser caótico. E foi. Teve bruxa voltando do inferno, palhaço assassino, a Dália Negra num jantar de Natal pagão e uma árvore genealógica que faria qualquer novela das nove passar vergonha. Então, antes do último episódio, resolvi fazer o que eu mesmo precisava: voltar lá no começo, lembrar quem é quem e juntar as peças.

Como tudo começou

American Horror Story estreou em 2011 com uma ideia simples e ousada: cada temporada conta uma história diferente, com começo, meio e fim, e o mesmo grupo de atores volta em papéis novos. Sarah Paulson, Evan Peters, Jessica Lange, Kathy Bates, Angela Bassett e companhia viraram uma espécie de companhia de teatro do terror. De lá para cá foram 17 Emmys e uma fila de personagens que a gente não consegue esquecer.

Com o tempo, as temporadas começaram a conversar entre si. Primeiro com piscadinhas, depois com crossovers de verdade. A 13ª é o ponto em que essa conversa vira gritaria.

Recapitulando, temporada por temporada

  • Murder House (2011): a família Harmon se muda de Boston para uma casa em Los Angeles cheia de fantasmas. A vizinha é Constance Langdon (Jessica Lange), mãe de Tate (Evan Peters), um fantasma adolescente com um passado terrível, e de Addie (Jamie Brewer). Tate, escondido na roupa de látex do Homem de Borracha, engravida Vivien Harmon, e daí nasce Michael Langdon, o Anticristo, que Constance cria como neto. Guarde bem esses nomes, porque eles voltam. Foi aqui também que conhecemos a Dália Negra, Elizabeth Short (Mena Suvari).
  • Asylum (2012–2013): o manicômio Briarcliff, em 1964, comandado pela Irmã Jude (Lange de novo). Tem o Bloody Face, tem alienígenas, tem um médico nazista e tem o Diabo em pessoa, possuindo a Irmã Mary Eunice pelos corredores. Anote: o Diabo esteve em Briarcliff.
  • Coven (2013–2014): a minha favorita. As bruxas da Academia Miss Robichaux, em Nova Orleans: Fiona Goode (Lange), a Suprema; a filha dela, Cordelia (Paulson); Madison Montgomery (Emma Roberts), Queenie (Gabourey Sidibe) e Myrtle Snow (Frances Conroy), aquela do "Balenciaga!". Do outro lado, a rainha do vodu Marie Laveau (Angela Bassett) e a racista imortal Delphine LaLaurie (Kathy Bates). No fim, Cordelia vira a Suprema e Fiona vai para um inferno particular, presa numa cabana com o Homem do Machado.
  • Freak Show (2014–2015): um circo de horrores na Flórida dos anos 1950, com Elsa Mars (Lange) e o palhaço Twisty (John Carroll Lynch), que até hoje me dá arrepio. É daqui também a Pepper, que já tinha aparecido em Asylum e que vai ter um papel inesperado nesta temporada.
  • Hotel (2015–2016): o Hotel Cortez, construído por James Patrick March (Peters) para matar hóspedes em paz. O episódio "Devil's Night" reuniu os fantasmas de serial killers reais num jantar, entre eles Jeffrey Dahmer, o Assassino do Zodíaco e Richard Ramirez. Foi no Cortez também que a Queenie morreu pela primeira vez.
  • Roanoke (2016): a temporada em formato de documentário e reality show, com lendas de fazenda, colonos fantasmas e o Homem-Porco.
  • Cult (2017): o pós-eleição americano visto como filme de terror, com o líder de seita Kai Anderson (Peters) e a irmã dele, Winter (Billie Lourd).
  • Apocalypse (2018): o primeiro grande crossover. Michael Langdon, já adulto, acaba com o mundo em bombas nucleares, e as bruxas de Coven enfrentam o Anticristo de Murder House. Quem salva tudo é Mallory (Billie Lourd), que volta no tempo e atropela o Michael adolescente, apagando o apocalipse. Também foi aqui que conhecemos Wilhelmina Venable (Paulson) e Coco (Leslie Grossman).
  • 1984 (2019): o slasher de acampamento de verão, com Richard Ramirez, o Night Stalker (Zach Villa), devoto do Diabo.
  • Double Feature (2021): duas histórias numa temporada. "Red Tide", com escritores que tomam uma pílula preta para ter talento, e "Death Valley", com alienígenas e o casal Eisenhower.
  • NYC (2022): a Nova York gay dos anos 1980, talvez a temporada mais séria e triste de todas.
  • Delicate (2023–2024): Emma Roberts tentando engravidar no meio de uma conspiração de bruxas, ao lado de Kim Kardashian.

A 13ª temporada até aqui

A temporada se chama simplesmente "13", e o número está em tudo. O protagonista é Ben DeSoto (Joey Pollari), um rapaz que morre de medo do número 13. Ele sobrevive a um acidente de avião que mata a namorada, Kira, e doze amigos dela, e vai trabalhar como cuidador de um paciente misterioso: o senhor Nas, um idoso que mora na cobertura do 13º andar do edifício Apollyon, em Nova York. A cuidadora do turno do dia? Constance Langdon. Jessica Lange de volta depois de oito anos, e eu fiquei feliz feito criança.

Logo fica claro que Constance fez um acordo: ela tem Tate e Addie de volta, vivos e bem, e Kai Anderson também aparece por lá. No Rauhnacht, um feriado pagão em que o véu entre os mundos fica mais fino, ela dá um jantar, e Winter Anderson chega com uma convidada mascarada: Elizabeth Short. No porão do Apollyon funciona o Club Hell, um portal para o inferno recepcionado por Wilhelmina Venable. Ali, treze mulheres ressuscitadas de várias épocas são oferecidas como sacrifício ao senhor Nas, que finalmente se revela: ele é Satanás. Entre elas estão a Dália Negra, a Hypodermic Sally de Hotel, a Karen tuberculosa de "Red Tide" e a Mamie Eisenhower de "Death Valley". Faltou uma para fechar a conta, e Wilhelmina se jogou no fogo para completar o número.

Enquanto isso, Twisty faz 13 vítimas numa escola de palhaços em Los Angeles, o Homem-Porco de Roanoke aparece na história de Ashley, outra sobrevivente do acidente, e aparece um "616" marcado nas costas de Ben. Nas bruxas, a coisa desanda: James Patrick March volta com os assassinos do "Devil's Night" e mata Cordelia.

Aí AHS faz o que sabe fazer melhor. Madison assume o comando, as bruxas despacham Dahmer, o Zodíaco e o Night Stalker, e quem aparece na porta? Fiona Goode, fugida do inferno. Ela acaba com March e ressuscita a filha. Para entender o que o Diabo quer, Cordelia procura Papa Legba, agora vivido por Orlando Jones, já que Lance Reddick morreu em 2023. Queenie desce ao inferno, reencontra Delphine LaLaurie numa lanchonete de frango frito e se vinga como só ela faria. Marie Laveau volta, e Fiona e Marie fazem as pazes contra o inimigo comum.

Nos episódios 9 e 10, as bombas. Satanás é o pai de Constance. E também o pai de Ben. Um flashback de 1939, no Vaticano, revela a aposta que o Diabo fez com Deus: se vivesse 100 anos seguidos como humano, ganharia a Terra, o Céu e o Inferno. O senhor Nas está quase lá, e cada leva de 13 sacrifícios acelera o envelhecimento dele. As bruxas, um clã de 13, seriam o último sacrifício, também por vingança: foi Mallory quem matou Michael Langdon. Ela confessa tudo e Fiona crava: Mallory vai ser a próxima Suprema. Quando o Diabo vencer, ele volta para o inferno e deixa o filho no trono da Terra. E o filho é o Ben, que aparece na Academia dizendo "acho que vocês estão me procurando".

No episódio 11, Ben passa para o lado das bruxas, tira Myrtle Snow do inferno (o castigo dela era trabalhar numa loja de departamentos no interior dos Estados Unidos, o que é muito AHS) e se apaixona por Madison. No 12, a revelação que eu não esperava: Fiona e Constance são gêmeas idênticas, filhas da Irmã Jude com Satanás, concebidas em Briarcliff. Constance foi vendida a um casal na Virgínia e Fiona foi levada por Pepper para a Miss Robichaux. As bruxas montam um plano para fazer o senhor Nas voltar a ser bebê para sempre, mas, quando Cordelia e Queenie começam o ritual na cobertura, o senhor Phibes (John Waters) e o Homem de Borracha matam as duas. Satanás nocauteia Ben. Fim do episódio. Respira.

As conexões que mais me pegaram

  • Três Jessicas Lange numa família só. Constance, Fiona e Irmã Jude, mãe e filhas. A conta das idades não fecha nem com reza forte, e a imprensa americana já apontou os furos, mas confesso que não ligo. É a Jessica Lange interpretando a própria família.
  • O Diabo de Asylum não foi à toa. Quando vimos o Diabo passeando por Briarcliff, ninguém imaginava que ele estava deixando herdeiras. Agora a temporada de 2012 virou origem de tudo.
  • Michael Langdon, o bisneto. Se Constance é filha de Satanás e Tate é filho de Constance, o Anticristo de Murder House era bisneto do Diabo. E a morte dele em Apocalypse é justamente o que deixou o pai de todos com raiva das bruxas.
  • "Nada de bombas nucleares". Quando Constance faz as exigências dela ao senhor Nas, pede que ele não destrua o mundo com armas nucleares. Quem viu Apocalypse entendeu o recado.
  • O "Devil's Night" voltou. O jantar dos serial killers de Hotel virou ataque à Academia. E o Night Stalker, que em 1984 era devoto do Diabo, agora trabalha para ele de vez.
  • O Homem de Borracha. A roupa mais assustadora de Murder House está de volta, e ainda não sabemos quem está dentro dela.
  • A Queenie não descansa. Morreu no Hotel Cortez, voltou em Apocalypse, foi ao inferno nesta temporada, voltou, e morreu de novo no episódio 12.
  • Madison e a fertilidade. A história de Madison pensando em congelar óvulos e descobrindo que a magia afeta a fertilidade dela soa como uma piscadinha para Delicate, que também teve Emma Roberts como protagonista. Pode ser coincidência, mas eu duvido.

O que eu espero de "Devil of a Good Time"

Daqui para baixo é tudo teoria minha. Pode ser que eu erre feio.

  1. Mallory assume. Com Cordelia morta, a profecia de Fiona aponta para Mallory como Suprema. E a Mallory é a única bruxa que já desfez um fim do mundo voltando no tempo. Eu não me surpreenderia se ela tentasse de novo, nem se o Papa Legba cobrasse caro por isso. A regra dele é clara: para uma alma subir, outra tem que descer.
  2. As gêmeas lado a lado. Fiona já sugeriu ensinar magia a Constance. Ver as duas Jessicas Lange lutando juntas contra o próprio pai seria o momento da temporada. A dúvida é se Constance fica até o fim do lado certo. Ela sempre fez tudo pelos filhos, e foi isso que a levou ao Diabo.
  3. O filho pródigo decide. O senhor Nas disse que o poder vai corromper o Ben. Ele pode recusar o trono, aceitar para governar de outro jeito ou nos trair no último minuto. O próprio Joey Pollari avisou: "o tapete vai ser puxado, segure firme no chão que tiver embaixo de você".
  4. Quem é o Homem de Borracha? Em Murder House era o Tate. Tate está de volta. Eu aposto nele, mas AHS adora uma troca de roupa.
  5. O número 13 cobra a conta. Episódio 13 da temporada 13, no 13º andar. Se o senhor Nas completar 100 anos, o que acontece com a aposta? E será que Deus, o outro lado da aposta, dá as caras?
  6. Ninguém está morto de verdade. Cordelia já voltou uma vez nesta temporada, Fiona saiu do inferno e Myrtle e Queenie também. Em AHS a morte é mais uma sugestão do que uma regra.

E depois?

A 14ª temporada está confirmada, e o Ryan Murphy já disse que quer levar a série para outros países. Ele também garantiu que não pretende repetir esse tipo de reunião: "Nunca! Nunca, não, não. Acho que isso nunca aconteceria de novo". Então vale aproveitar, porque pode ser a última vez que a gente vê esse elenco todo junto.

Eu vou assistir assim que liberar no Disney+, e com o coração na mão pela Cordelia. Se você segue American Horror Story aqui no Estreou, o episódio final já está no seu calendário. Nos vemos do outro lado. Se é que vai sobrar um lado.